Selo episcopal de Garland F. Byers, Jr.: uma cruz de ouro que irradia luz; a Bíblia Sagrada, que lança relâmpagos que se enroscam em torno de um dragão enrolado sobre o globo; nuvens de tempestade e águas revoltas; um campo azul dentro de uma borda de ouro com a inscrição Garland F. Byers, Jr., Episcopus, e o lema Euntes in Mundum Universum

O Selo Episcopal

O ReverendíssimoGarland F. Byers, Jr., J.D., D.D.

Bispo para as Nações, sob Comissão Apostólica


O selo é a marca pessoal do Bispo. É aposto em suas cartas, em seus escritos e em seus documentos, e figura à frente deste ministério do Evangelho por meio da palavra escrita.

Um selo próprio pertence de longa data ao ofício de bispo. Desde os primeiros séculos, os cristãos selavam com sinetes que traziam emblemas cristãos; Clemente de Alexandria, escrevendo por volta do ano 200 d.C., aconselhava aos fiéis que os seus selos trouxessem “uma pomba, ou um peixe, ou um navio que corre diante do vento, ou uma lira musical … ou a âncora de um navio.”1 Por volta do século XII, era costume estabelecido dos bispos em toda a Igreja portar um selo próprio.2 Tal selo mostra em imagens as coisas mais importantes para o bispo e as traz à memória ao longo de todo o seu ministério.

Assim é com este selo. Cada elemento nele tem um significado pessoal para o Bispo em seu próprio chamado a Cristo. Há uma história por trás dele; essa história não é contada aqui, mas é conhecida do Bispo e pertence somente a ele. O significado de cada elemento é exposto abaixo, com as Escrituras em que se fundamenta.

Baixar esta página em PDF

Disponível em: English · Deutsch · Español · Português


A Cruz de Ouro

No centro do selo está a cruz de Jesus Cristo. Foi ali que Ele triunfou sobre a morte e conquistou a vida eterna para todos os que nele creem. Por Sua paixão, crucificação, morte e ressurreição, Ele pagou a dívida do pecado devida a Deus desde a queda do homem no Jardim do Éden.

“Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram.”Romanos 5:12
“Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados.”1 Pedro 2:24

A cruz é o sinal dessa vitória. Nela, Cristo riscou “a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, … cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo” (Colossenses 2:14–15). A promessa da cruz é a vida sem fim: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).

A cruz declara também que aqueles que nele creem já alcançaram essa vitória:

“Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? … Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo.”1 Coríntios 15:55, 57

Eles reinarão com Ele para sempre em Seu reino: “se sofrermos, também com ele reinaremos” (2 Timóteo 2:12), e “reinarão para todo o sempre” (Apocalipse 22:5).

A cruz é de ouro para mostrar que ela purifica o cristão. O sangue de Jesus é como um fogo refinador: “o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 João 1:7). Assim como o ouro é purificado no fogo, assim o cristão é purificado de todo pecado. Do Senhor está escrito que “ele será como o fogo do ourives … E assentar-se-á, afinando e purificando a prata; e purificará os filhos de Levi e os afinará como ouro e como prata” (Malaquias 3:2–3).

Por vezes os cristãos enfrentam provações e tribulações. Estas devem ser vistas como o ouro provado no fogo, para que aqueles que permanecem fiéis até a cruz tenham a vida eterna:

“Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações, para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo.”1 Pedro 1:6–7
“Mas ele sabe o meu caminho; prove-me, e sairei como o ouro.”Jó 23:10

O próprio Senhor aconselha: “aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças” (Apocalipse 3:18). Ele promete aos fiéis: “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Apocalipse 2:10).


Os Raios de Luz

Os raios de luz que resplandecem por trás da cruz significam que a cruz é a luz do mundo. O Senhor disse: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12).

Os raios significam também que aqueles que seguem a Cristo são filhos da luz. “Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz” (João 12:36). “Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas” (1 Tessalonicenses 5:5). “Porque, noutro tempo, éreis trevas, mas, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” (Efésios 5:8).

Os cristãos devem ser uma lâmpada para o mundo, cada um deles um raio dessa luz:

“Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas, no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus.”Mateus 5:14–16

Eles o fazem ao receber a presença do Espírito Santo e ao deixar que o Espírito que neles habita resplandeça por meio de suas vidas. A luz da verdade resplandece então de suas vidas, e essas vidas tornam-se um sacrifício vivo: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Romanos 12:1). Então os outros poderão olhar para os cristãos e ver que eles são diferentes, “irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo” (Filipenses 2:15). Os cristãos são a luz do mundo porque seguem a Luz do mundo, o próprio homem Jesus, que é o Cristo.


A Bíblia Sagrada

A Bíblia Sagrada é a regra e o guia da fé, a palavra infalível de Deus:

“Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra.”2 Timóteo 3:16–17

Ela é dada ao cristão para ser usada como espada, “a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Efésios 6:17):

“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.”Hebreus 4:12

Assim o próprio Senhor a empunhou. Quando Jesus foi conduzido ao deserto “para ser tentado pelo diabo”, Ele respondeu a cada tentação com a palavra escrita:

Então o diabo o deixou (Mateus 4:11).

A Bíblia Sagrada é o padrão pelo qual o cristão vive a sua vida: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho” (Salmos 119:105); “a tua palavra é a verdade” (João 17:17). Ela permanece para sempre: “Para sempre, ó SENHOR, a tua palavra permanece no céu” (Salmos 119:89); “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mateus 24:35).

Ela registra para todo o sempre como o crente pode alcançar a vida eterna: “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (João 20:31). E ela glorifica a Deus e ao Seu Filho unigênito, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” (João 5:39).


Os Relâmpagos

Os feixes de luz que saem da Bíblia Sagrada e se enroscam em torno do dragão e do mundo são relâmpagos. Eles procedem da palavra de Deus e ferem o dragão. A palavra de Deus é a força mais poderosa do universo: “Não é a minha palavra como fogo, diz o SENHOR, e como um martelo que esmiúça a penha?” (Jeremias 23:29). As Escrituras falam dos relâmpagos do Senhor lançados contra os Seus inimigos: “multiplicou raios e os perturbou” (Salmos 18:14); “Vibra os teus raios e dissipa-os; envia as tuas flechas e desbarata-os” (Salmos 144:6).

Quando o cristão profere a palavra de Deus, ela é dolorosa para o inimigo e o fere como um relâmpago. Quando os setenta voltaram, alegrando-se de que “pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam”, o Senhor respondeu:

“Eu via Satanás, como raio, cair do céu. Eis que vos dou poder para pisar serpentes, e escorpiões, e toda a força do Inimigo, e nada vos fará dano algum.”Lucas 10:18–19

O relâmpago fere o próprio dragão, “a antiga serpente, chamada o diabo e Satanás, que engana todo o mundo” (Apocalipse 12:9), e fere aqueles que o seguem. Fere no reino espiritual, “porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Efésios 6:12), e em todo o mundo onde ele atua. Assim os santos “o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho” (Apocalipse 12:11), e assim a todo crente é prometido: “resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tiago 4:7).


O Dragão

O dragão simboliza Satanás, a quem as Escrituras frequentemente chamam o dragão: “Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás” (Apocalipse 20:2).

Está enrolado em torno do mundo porque as Escrituras registram que ele é o deus deste mundo: “o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2 Coríntios 4:4). O Senhor o chamou “o príncipe deste mundo” (João 12:31), e o Apóstolo João escreveu que “todo o mundo está no maligno” (1 João 5:19). Ele domina este mundo caído muito mais do que o cristão sabe ou compreende. Desde a queda no Jardim do Éden, a sua influência maligna tem alcançado tudo aquilo com que o cristão se depara dia após dia. Ele é “o príncipe das potestades do ar, do espírito que, agora, opera nos filhos da desobediência” (Efésios 2:2), e “o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pedro 5:8).

O dragão ergue-se em direção à cruz para mostrar o desafio aberto do diabo à palavra de Deus. Mostra a sua rejeição de Deus, do Seu Cristo e de todas as coisas santas, e o seu claro intento de se opor a tudo o que Deus pôs em movimento desde o princípio dos tempos. Acima de tudo, mostra o seu intento de destruir a humanidade, feita à imagem e semelhança de Deus: “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gênesis 1:27). Dele o Senhor disse: “ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele” (João 8:44). “E o dragão irou-se contra a mulher e foi fazer guerra ao resto da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus Cristo” (Apocalipse 12:17).

Ele persiste nesse desafio, com a sua hoste apóstata e as pessoas más do mundo que o seguem, até que seja lançado no lago de fogo, juntamente com todos os seus seguidores, como registra o Livro do Apocalipse:

“E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre.”Apocalipse 20:10
“Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.”Mateus 25:41

O Globo

O globo tem o seu próprio significado, à parte do dragão enrolado em torno dele. É a terra, a criação de Deus. Quando Deus concluiu a Sua obra, “viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom” (Gênesis 1:31).

A terra foi dada ao homem por mandato divino:

“E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.”Gênesis 1:28
“Os céus são os céus do SENHOR; mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens.”Salmos 115:16

O homem perdeu esse domínio quando desobedeceu a Deus no Jardim do Éden e comeu do fruto proibido: “maldita é a terra por causa de ti” (Gênesis 3:17).

Cristo ordena aos Seus seguidores que lhe obedeçam: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos” (João 14:15). Ele enviou os Seus apóstolos a todas as nações:

“Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado.”Mateus 28:19–20

Ele os enviou para que este mundo fosse redimido e reconciliado novamente com Deus, exercendo o homem domínio sobre a terra, como Deus a princípio intentou. Pois “também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus” (Romanos 8:21).

A Oração do Senhor fala disso: “Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu” (Mateus 6:10). Nestas palavras, o próprio Jesus declara que Deus quer a terra restaurada à ordem que Ele a princípio intentou. A sua restauração significa que o diabo, Satanás, foi derrotado pela palavra de Deus e pelo sacrifício de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Então “os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre” (Apocalipse 11:15). Dos redimidos está escrito: “e eles reinarão sobre a terra” (Apocalipse 5:10).

Este símbolo do selo lembra a todo cristão o dever de tornar o Reino de Deus manifesto na terra. Jesus pregava: “Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus” (Mateus 4:17), e enviou os Seus discípulos a dizer: “É chegado a vós o Reino de Deus” (Lucas 10:9). Onde Jesus está presente, o Reino está presente. Assim será no dia do Seu triunfo sobre o dragão, quando o homem novamente exercer domínio sobre a terra, como Deus a princípio intentou.


As Nuvens de Tempestade e as Águas Revoltas

As nuvens de tempestade representam o vento, que aqui é o Espírito Santo. O próprio Senhor comparou o Espírito ao vento: “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito” (João 3:8). No Pentecostes, o Espírito veio “como de um vento veemente e impetuoso” (Atos 2:2). No princípio, “o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas” (Gênesis 1:2).

Quando o cristão usa a palavra de Deus e o relâmpago fere a serpente e os seus seguidores no espírito, o Espírito Santo move-se como um vento santo e uma tempestade. Esse movimento abala as próprias águas da terra, pois “A voz do SENHOR ouve-se sobre as águas; o Deus da glória troveja; o SENHOR está sobre as muitas águas” (Salmos 29:3). A terra inteira é afetada pela fé do crente na palavra de Deus e pelo uso que dela faz como espada. Quando ela é usada corretamente, o Espírito Santo move-se em glória, poder e domínio. Assim foi com a Igreja primitiva: “E, tendo eles orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo e anunciavam com ousadia a palavra de Deus” (Atos 4:31).

As nuvens de tempestade e as águas revoltas respondem ao cristão: ao seu uso da palavra de Deus e à sua invocação do Espírito Santo na fé em Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. O próprio Senhor “repreendeu o vento e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E o vento se aquietou, e houve grande bonança”, e os Seus discípulos perguntavam: “Mas quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Marcos 4:39, 41). Ele prometeu a mesma autoridade aos que creem:

“Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito.”Marcos 11:23

Assim, embora se diga que o mundo jaz sob o domínio do diabo, a palavra de Deus triunfa. Ela dá ao cristão autoridade sobre aquilo que o homem cedeu a Satanás na queda no Jardim do Éden. Pela palavra de Deus, pelo precioso sangue e sacrifício de Jesus Cristo e pela Sua autoridade, o crente é restaurado ao seu lugar legítimo. Quando ele profere a palavra divina das Escrituras, a própria terra responde, e o Espírito Santo é o meio dessa resposta. O Espírito dá poder à oração do cristão: “o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Romanos 8:26). O Espírito dá poder também às suas ordens no Espírito, até mesmo sobre aquilo que fora perdido, tão grande é a glória de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador: “Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” (João 14:14).

As Escrituras registram as próprias palavras do Senhor: “É-me dado todo o poder no céu e na terra” (Mateus 28:18). Aqueles que creem em Cristo obtêm acesso a esse poder por meio do precioso sangue do Cordeiro e por meio de sua fé nele.


As Cores: O Campo Azul e a Borda de Ouro

O campo azul é o céu. Desde o princípio, o homem tem olhado para o alto, para o céu, ao falar com Deus: “Para ti, que habitas nos céus, levanto os meus olhos” (Salmos 123:1). O Senhor ensinou os Seus discípulos a orar: “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome” (Mateus 6:9).

O azul representa os reinos celestiais em que o cristão entra pela oração e pela súplica. É o lugar do trono de Deus: “Assim diz o SENHOR: O céu é o meu trono, e a terra, o escabelo dos meus pés” (Isaías 66:1). Esse trono é invisível e incognoscível para o cristão; contudo, ele olha para o trono com fé, por meio de Cristo Jesus, “porque andamos por fé e não por vista” (2 Coríntios 5:7). Ele se chega “com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hebreus 4:16).

“As coisas encobertas são para o SENHOR, nosso Deus; porém as reveladas são para nós e para nossos filhos, para sempre” (Deuteronômio 29:29). Ao homem é dado conhecimento suficiente para assegurar a sua salvação. Esse conhecimento vem por meio da palavra escrita da Bíblia Sagrada, as “sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus” (2 Timóteo 3:15). Vem também por meio da instrução, do ensino e do exemplo de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Quando o cristão eleva o seu coração em oração, ele sobe ao céu, ao azul que representa os reinos celestiais: “Levantemos o coração juntamente com as mãos para Deus nos céus” (Lamentações 3:41). “Suba a minha oração perante a tua face como incenso, e seja o levantar das minhas mãos como o sacrifício da tarde” (Salmos 141:2). “E a fumaça do incenso subiu com as orações dos santos desde a mão do anjo até diante de Deus” (Apocalipse 8:4).

A borda de ouro fala da purificação do cristão, conforme exposto acima, sob a cruz de ouro. A fé em Jesus Cristo e no poder do Seu sangue é um fogo refinador que refina a pessoa, assim como o ouro é refinado no fogo. “E farei passar essa terceira parte pelo fogo, e a purificarei, como se purifica a prata, e a provarei, como se prova o ouro; ela invocará o meu nome, e eu a ouvirei” (Zacarias 13:9). Aqui o ouro representa o cristão refinado, que crê plenamente e confia inteiramente em Jesus Cristo, “REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES” (Apocalipse 19:16).


A Inscrição

Ao redor da borda corre a inscrição “GARLAND F. BYERS, JR. ✠ EPISCOPUS.” O nome assinala o selo como próprio do Bispo. Episcopus é a palavra latina para bispo. Provém do grego episkopos, “supervisor”, a palavra que São Paulo empregou quando exortou os anciãos de Éfeso:

“Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue.”Atos 20:28

Juntos, o nome e o título significam que o Bispo toma parte na guerra espiritual que é travada diariamente: “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas” (2 Coríntios 10:4). Ele é membro do governo de Deus, sagrado para o ofício de bispo e incumbido de proclamar a verdadeira doutrina e de não permanecer calado. Pois “convém que o bispo seja irrepreensível como despenseiro da casa de Deus, … retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina como para convencer os contradizentes” (Tito 1:7, 9).

Permanecer calado seria contado como pecado: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado” (Tiago 4:17). O Senhor advertiu o atalaia que vê vir a espada e não toca a trombeta: “o seu sangue demandarei da mão do atalaia” (Ezequiel 33:6). São Paulo disse: “ai de mim se não anunciar o evangelho!” (1 Coríntios 9:16).

A inscrição lembra a parábola dos talentos (Mateus 25:14–30). Um senhor entregou os seus bens aos seus servos antes de uma viagem, e dois deles negociaram e dobraram o que haviam recebido. A cada um deles o senhor disse: “Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mateus 25:21). O terceiro escondeu o seu talento na terra, e o senhor lhe respondeu: “Mau e negligente servo” (Mateus 25:26). A parábola lembra ao Bispo a sua solene obrigação:

O Bispo não sabe por que foi chamado. Sabe somente que foi chamado, e esse fato, por si só, o investe de autoridade e de responsabilidade. “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça” (João 15:16). “Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” (Romanos 11:29). Daqueles a quem muito é dado, muito se pede: “E a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá” (Lucas 12:48).

As pequenas cruzes colocadas junto ao nome do Bispo e à palavra Episcopus significam que ele é um bispo da cruz, um bispo na Igreja de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Elas mostram como tanto o seu nome quanto o seu ofício estão em relação com Cristo. “Longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu, para o mundo” (Gálatas 6:14). O Bispo deve lealdade a Cristo, e a Deus, acima de todas as coisas. As cruzes representam essa obediência, que é devida somente a Deus:

“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.”Lucas 9:23
“Ninguém pode servir a dois senhores.”Mateus 6:24
“Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.”Atos 5:29

O Lema

O lema Euntes in Mundum Universum, “Indo por todo o mundo”, está posto no ouro do selo. Está posto em ouro porque o Bispo, devidamente sagrado, foi refinado pelo fogo do Espírito Santo e recebeu as Ordens Sacras. Essas ordens o investem agora de uma responsabilidade de propagar o evangelho muito mais pesada do que a que carregava antes. Esse fogo é aceso novamente a cada ato sacramental que ele realiza. Como São Paulo escreveu a Timóteo, “que despertes o dom de Deus, que existe em ti pela imposição das minhas mãos” (2 Timóteo 1:6).

Essas palavras são o mandato dos apóstolos e de seus sucessores, os bispos. São a própria ordem de Cristo:

“Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.”Marcos 16:15

A palavra de Deus e o evangelho de Jesus Cristo devem ser pregados e tornados acessíveis a todas as nações do mundo: “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes” (Mateus 24:14). É por isso que o Bispo tem o título de Bispo para as Nações. O mandato de Cristo em Marcos 16:15 exige que todo aquele que é chamado ao Seu serviço vá por todo o mundo e pregue o evangelho a toda criatura.

Em eras passadas, isso significava estar fisicamente presente: viajar, sair e espalhar a palavra de Deus. Na era presente, significa também, para o Bispo, escrever e publicar a palavra de Deus e a verdadeira doutrina e torná-las acessíveis na World Wide Web, para que todas as nações as leiam, se assim o quiserem. “Escreve a visão e torna-a bem legível sobre tábuas, para que a possa ler o que correndo passa” (Habacuque 2:2). “Como ouvirão, se não há quem pregue?” (Romanos 10:14).

Aceitar a palavra de Deus e a Jesus Cristo é uma escolha pessoal, e não deve ser imposta a ninguém. “Escolhei hoje a quem sirvais” (Josué 24:15). “E quem quiser tome de graça da água da vida” (Apocalipse 22:17). O Senhor diz: “Quem é injusto faça injustiça ainda; e quem está sujo suje-se ainda; e quem é justo faça justiça ainda; e quem é santo seja santificado ainda” (Apocalipse 22:11).

É obra e função do Bispo expor a palavra de Deus e o evangelho de Jesus Cristo tanto diante dos crentes quanto dos não crentes. Para o crente, a fé pode ser reacendida, reforçada e tornada mais sólida, como o Senhor incumbiu Pedro: “quando te converteres, confirma teus irmãos” (Lucas 22:32). Para o não crente, pode conduzi-lo à fé em Jesus Cristo, o Senhor e Rei, “de sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Romanos 10:17).


Notas

1Clemente de Alexandria, O Pedagogo, liv. 3, cap. 11.

2Encyclopædia Britannica, s.v. “sigillography.”

Selo episcopal de Garland F. Byers, Jr.: uma cruz de ouro que irradia luz; a Bíblia Sagrada, que lança relâmpagos que se enroscam em torno de um dragão enrolado sobre o globo; nuvens de tempestade e águas revoltas; um campo azul dentro de uma borda de ouro com a inscrição Garland F. Byers, Jr., Episcopus, e o lema Euntes in Mundum Universum

Euntes in Mundum Universum: “Ide por todo o mundo” (Marcos 16:15, ARC).